Ontem calhou de eu estar a ver o
telejornal, enquanto lavava a louça do jantar e o D. não pedia para ver
desenhos animados, e vi uma notícia sobre a deputada Francisca Almeida que
renunciou ao lugar na comissão de inquérito sobre a compra dos submarinos.
Ao que parece a deputada em
questão trabalha num escritório de advogados que fez parte, de alguma maneira,
no negócio.
É tão triste que os nossos
deputados, todos ou quase todos, estejam misturados nesta promiscuidade que
existe entre o poder político e o poder privado, seja ele em escritórios de
advogados, agências financeiras, FMI, construtoras, petrolíferas, etc.
O que me perturbou mais na notícia
nem foi falar-se nesta questão. Acho mais que normal que se fale, uma vez que
ela existe. Foi os deputados da mesma cor política a defenderem e atacarem quem
levantou a suspeita, como se fosse um “chibo” e estivesse a “queimar” uma
colega de trabalho.
Acho que seria tão fácil acabar
com estas danças de cadeiras. Porque não obrigam os deputados e todos que fazem
parte de alguma forma com cargos públicos a trabalharem em exclusividade com o
estado e mesmo depois de deixarem funções, com proibição de trabalhar no
privado por um período de tempo?
Provavelmente havia uma renovação
da classe politica que tanto se fala, porque estes não estariam interessados.
Podia ser que aparecesse gente em condições.